23 de janeiro de 2011

A melhor maneira de se livrar da culpa

"Já estava assim quando eu cheguei"
Homer Simpson


Eis o SMS vindo do número desconhecido:
":-o"

Ok, I've got it:

Em poucos minutos, minha equipe de investigação particular foi acionada e buscou desvendar o mistério da mensagem do mal. Minha volta para casa solitária seria cheia de catástrofes como todo filme de terror previsível. Meldels! Logo eu? No final das contas, menos emoção... nem sei se infelizmente. Foi só um engano. Culpa de Hollywood.

Outro dia, a loka do pão inventou de furar os mamilos. Eu imaginei o filhote dela chegando depois de uns anos e se deliciando no furo triplo. Mais leite, uhu! Eu acredito que os seres mais cheios de penduricalhos pelo corpo vão beber água em algum momento e ela vai vazar por todos os furos. Culpa de Universal Pictures, da Hanna Barbera.

O mino me liga pra dizer "gata, vou ali salvar gente que tá sendo levada pra Guiana. Tráfico de gente, sabe?". Consegui visualizar perfeitamente meu gostosão chegando com porte de herói, desembainhando a espada e gritando: "parado aêeee, puliça na área!" E aí, os piratas sairiam de cantos estratégicos do barco e avançariam na equipe de preto. As pessoas, presas no calabouço úmido, frio e cinza, começariam a gritar por socorro. Ele salvaria mais um mundinho, mesmo que seja no fim do mundo. Respira fundo e se acostuma a ser Mary Jane, minha filha. Culpa da Marvel, da DC, de Cavaleiros do Zodíaco, de ChangeMan.


Eu me prendo aqui, isolada do meus maiores queridos e sem agitos europeus. Escolho ficar em frente a um computador lutando por horas em busca de uma textura aplicada perfeitamente, da animação mais fluída, da composição mais impecável, da [dramagirl mode on] e-mo-ção [dramagirl mode off]. Isso, meusa, é culpa da Disney, da Pixar, da Blue Sky, da Dreamworks (da Ibermedia e da CICE também:). Dos astros palhaços e volúveis, não. Minha, muito menos.

Sou tão vítima quanto o velhinho que dança borracho e incansável a música mexicana no meio da Praça do Sol. A culpa, nesse caso e no da Magali Aloka, é da Beyoncé, do Michael Jackson, do Calypso.



Tem coisa melhor que distribuir a responsabilidade? Estou fechando os olhos e me sentindo cercada de coisas mágicas e incríveis, coloridas e amáveis, substituindo a realidade pela fantasia.

Fiquei até toda levinha. Nham.

Eu tinha feito um parágrafo todo auto-ajuda pra finalizar esse post, mas quer saber? Tô nem aí. Com avaiana de pau toda uma geração descobriu que se as coisas acontecem, "a culpa é minha" e, a partir daí (aham, sure ¬¬), tantas paradas idiotas vieram pra nossa mão e pesam tanto nas nossas cabeças, né? Queria jogar todas elas pro mundo de volta. Se são minhas mesmo, boto onde quero. HO HO HO


Não fui eu que me fiz assim, encantada com tudo que é surreal, eternamente vivendo em outro mundo, achando que é só respirar pra sair voando.
Mas aí... I feel fine.

2 comentários:

.a que congemina disse...

Livia, sua linda, eu sempre gosto dos seus textos. Me divirto, me emociono, parece que entro no que você diz aí.
Dito isto, apenas um comentário acerca deste post: é o meu preferido até o momento.

BEIJO!!

Isabela disse...

Hahahaha! Amei o post! Eu queria viver em um musical! Besos